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Fusão fortalece grupo gaúcho de reciclagem

A Brasil Recicle, empresa especializada na descontaminação e reciclagem  de lâmpadas fluorescentes, anunciou a incorporação da paulista Apliquim. Adquirida em fevereiro deste ano pelo grupo gaúcho Datasys, a Brasil Recicle possui sede em Indaial (SC). A Apliquim, com unidade em Paulínia (SP), é especializada no tratamento de resíduos que contenham mercúrio. O grupo operará a partir de agora sob a marca Brasil Recicle.

Atualmente, a empresa processa em torno de 7 milhões de lâmpadas por ano, o que representa 40% do mercado nacional. A expectativa é de que esse número tenha um incremento de 20% em 2010, tanto pela atuação integrada das duas companhias quanto pelo aumento da demanda do serviço. "Temos condições de atender à demanda, uma vez que as fábricas trabalham apenas em um turno. Porém, ainda há pouca procura", diz o diretor-superintendente da Brasil Recicle, Eduardo Sebben.

A fusão trará benefícios aos clientes, aponta o executivo. Com a união das companhias, as competências das duas empresas ficam somadas, reunindo os melhores procedimentos e práticas. Sebben explica que a operação tornará possível atingir outras regiões do País, chegando ao Nordeste.

Entre as ações para o próximo ano, o grupo quer melhorar a sua atuação socioambiental, buscando parceiros estratégicos em locais distantes para fazer a armazenagem e futura reciclagem. Está prevista também a instalação de uma unidade de coleta no Rio Grande do Sul, o que facilitará o processo logístico.

Para captar novos clientes, a Brasil Recicle faz visitas a empresas e participa de licitações realizadas por órgãos públicos, como prefeituras e universidades. O objetivo, segundo Sebben, é que o mercado se acostume a descartar as lâmpadas. Em outros países, o fabricante é responsável pelo retorno do produto, no conceito chamado de logística reversa.

Solução eficaz para reduzir o consumo de energia elétrica, os artigos fluorescentes podem provocar prejuízos ao meio ambiente quando não for feito o seu descarte de forma correta. A reciclagem da lâmpada fluorescente é um processo complexo por lidar com um produto extremamente perigoso como o mercúrio. Esse material não pode ser deixado em aterros sanitários, quebrado ou triturado. Deve ser armazenado integralmente, já que uma lâmpada fluorescente pode contaminar até 15 mil litros de água, segundo dados da Brasil Recicle.

Apesar dos benefícios energéticos da lâmpada, ela deve ser descartada corretamente para que tenha um ciclo de vida sustentável. Conforme Sebben, a falta de uma legislação específica para o setor faz com que os consumidores desconheçam os cuidados necessários. “Esse é um mercado relativamente novo, porém, com o crescimento da preocupação ecológica, aumenta o interesse dos consumidores em se desfazer das lâmpadas de forma certa”, diz. Hoje, não há um local para encaminharem-se as lâmpadas usadas, diferentemente do que ocorre com outros tipos de materiais recicláveis, como pilhas, baterias ou embalagens de produtos tóxicos, que são recolhidos pelos fabricantes.


Fonte: Jornal do Comércio - 09/12/09

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